Hemeroteca do Instituto de Eletroténica e Energia
Nº 127002
Folha de São Paulo
Data: 14/11/2009
Governo estuda diminuir reajustes na conta de luz
Juliana Sofia
Os ministérios da Fazenda e de Minas e Energia
avaliam que a saída para compensar as perdas do consumidor com o erro no
cálculo do reajuste de tarifas de energia, revelado
pela Folha no mês passado, será diluir o prejuízo nos próximos aumentos a serem
autorizados às distribuidoras.
A Folha apurou que a ideia é conceder reajustes
menores no futuro para queimar a "gordura" acumulada pelas companhias
nos últimos anos com a falha na metodologia.
O TCU (Tribunal de Contas da União) calcula em
R$ 7 bilhões as perdas para os consumidores entre 2002 e 2008. Técnicos envolvidos
nos estudos classificam a estimativa do tribunal de "pouco confiável"
e dizem que o governo ainda sabe o tamanho real do prejuízo.
Para esses técnicos, a compensação é "o
caminho natural" para solucionar o caso, mas não evitará demandas na
Justiça por parte dos consumidores.
Isso porque os reajustes menores no futuro não
conseguirão atender pessoas em situações específicas. Um exemplo é o do
consumidor que mudou de Estado e, portanto, de distribuidora de energia.
Técnicos dos ministérios da Fazenda e de Minas e
Energia vêm trabalhando em conjunto na solução do problema. Nas últimas
semanas, a Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico), vinculada ao
Ministério da Fazenda, elaborou uma nota técnica na mesma linha de entendimento
divulgada antes pelo Ministério de Minas e Energia.
Na conclusão dos dois ministérios, a portaria
com as regras para os reajustes não foi a origem do
erro no cálculo dos índices, pois a fórmula de cálculo derivada de tais normas
"acomoda" os custos não gerenciáveis das distribuidoras.
A falha na metodologia do reajuste das tarifas
está na Parcela A dos cálculos feitos pela Aneel. Nessa parcela estão os custos
das distribuidoras considerados não gerenciáveis, cuja variação é integralmente
repassada aos consumidores.