Hemeroteca do Instituto de Eletrotécnica e Energia

 

Nº: 74670

O Globo

Data: 24/09/2003

 

Estatais garantem 36% de deságio em leilão de linhas de transmissão

 


Diferença significa tarifas menores, com desconto de R$ 161 milhões

SÃO PAULO. A volta da Eletrobrás às disputas de concessões de serviços do setor elétrico foi imporante para o sucesso do leilão de novas linhas de transmissão promovido ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Todas as sete linhas ofertadas pela Aneel foram arrematadas, e a participação de estatais em quatro consórcios vencedores foi decisiva para que o deságio médio atingisse 36%, o maior já obtido desde as privatizações do setor elétrico.

Como venceram o leilão os grupos que propuseram a menor tarifa pelo serviço de transmissão, o deságio representou um desconto da ordem de R$ 161 milhões em relação ao valor máximo fixado pela Aneel para os lances.

As sete novas linhas terão juntas 1.787 quilômetros de extensão, mas o desconto obtido ontem equivale a tudo que a Aneel tinha conseguido nos últimos cinco anos, quando 11.800 quilômetros de novas linhas foram leiloados ou autorizados.

— Competimos e vencemos em parcerias com empresas privadas. Isso mostra a vitalidade do setor estatal, que não participou dos leilões anteriores por conta de uma lei maluca, agora corrigida — comemorou o presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa.

Eletronorte, Chesf, Furnas e Eletrosul, em parcerias com empresas nacionais e estrangeiras, arremataram quatro dos sete lotes leiloados (1.266 quilômetros) e vão investir R$ 1,072 bilhão. As estatais terão de desembolsar a metade disso.

Dos outros três lotes leiloados ontem, dois foram arrematados por empresas espanholas e um por uma empresa nacional. A esses grupo caberão investimentos de pouco mais de R$ 700 milhões.

— O sucesso do leilão demonstra a confiança dos investidores no país — afirmou o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será o principal financiador das novas linhas.