Hemeroteca do Instituto de Eletrotécnica e Energia

 

Nº  83881

Valor Econômico

Data: 23/11/2004

 

Cemig pagará mais dividendos


Ivana Moreira De Belo Horizonte

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) deverá mudar sua política de dividendos, elevando o percentual de distribuição do lucro de 25% para 50%, com pagamento semestral. A empresa pretende ainda distribuir dividendos extraordinários sempre que houver caixa livre. A proposta foi aprovada pelo conselho de administração na sexta-feira, mas ainda terá de ser analisada em assembléia geral extraordinária.

O objetivo das mudanças é resolver o impasse com o Estado, que deve cerca de R$ 2,5 bilhões relativos à extinta Conta de Resultado a Compensar (CRC). Controlador da Cemig, com 51% do capital, o governo mineiro terá 65% da sua participação nos lucros retidos para o pagamento da dívida. "Esse é um assunto que se arrastava há mais de dez anos", afirmou o presidente do conselho de administração da Cemig e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Wilson Brumer.

A pendência com o governo mineiro levou a Comissão de Valores Mobiliários a determinar, em 2002, a mudança nos balanços do segundo e terceiro trimestres do ano para incluir o provisionamento de perdas de R$ 1,045 bilhão. Isso fez o prejuízo acumulado entre janeiro e setembro daquele ano chegar a R$ 1,15 bilhão, o maior já registrado pela empresa.

Com as medidas anunciadas agora, Brumer acredita que será possível reverter o provisionamento de mais de R$ 1 bilhão a título de recebimento duvidoso. "Ainda estamos conversando com a auditoria sobre isso", contou ele. A previsão é de que, com a nova política de dividendos, o governo quite a dívida com a Cemig num prazo máximo de 30 anos.

Segundo o secretário estadual, o aumento da distribuição dos lucros não prejudicará a performance da companhia nem seus planos de investimentos. "A distribuição de 50% dos lucros é uma prática comum nas boas empresas de capital aberto."

O governo já havia tentado, no início do ano, aumentar o percentual de distribuição dos lucros para 50%, mas encontrou a resistência dos minoritários. Desta vez, o Estado se dispôs a elevar de 58% para 65% o percentual de retenção de sua participação nos lucros e fez a proposta aliada a um plano diretor para os próximos 30 anos, com definição de parâmetros de proteção para a companhia energética.

O plano prevê limite máximo de endividamento de duas vezes o valor do lajida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização). Também estabelece que os projetos de investimento terão de ter 40% de capital próprio.

Até o ano passado, o governo mineiro esperava resolver as pendências da CRC numa negociação com o governo federal. A expectativa era federalizar as dívidas, num encontro de contas entre Estado e União. Mas as negociações nunca avançaram. Segundo Brumer, a proposta apresentada ao conselho da Cemig não elimina a possibilidade de federalização do débito.