Hemeroteca do Instituto de Eletrotécnica e Energia
Nº 86882
Valor Econômico
Data: 01/04/2005
Mantega ameaça interpelar Serra
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O prefeito de São Paulo, José
Serra (PSDB), afirmou ontem que os controladores da Eletropaulo evitaram
cobrar dívidas da gestão passada da prefeitura, controlada pela petista Marta
Suplicy, interessados em obter vantagens do BNDES , que detém quase 50% do
capital da empresa. "Acontece o seguinte: a AES, que é dona da
Eletropaulo, é uma empresa virtualmente quebrada e o BNDES socorreu a empresa
com dinheiro público. Evidentemente, eles não podiam tomar medidas contra a
gestão anterior do PT, que deu calote, porque senão, estariam criando um
clima de má vontade no BNDES", afirmou o tucano. Anteontem, a empresa distribuidora
cortou a luz de 85 prédios da prefeitura. Em na favela Tolstoi, em Sapopemba,
zona leste de São Paulo, o prefeito José Serra acusou a Eletropaulo de ter
sido "arbitrária, truculenta, arrogante e equivocada". O prefeito
disse ainda que, quem deu calote na Eletropaulo foi a administração Marta
Suplicy. Serra acusou ainda a Eletropaulo de "arrogância típica de
empresa estrangeira": "Isso é muito próprio, inclusive, de uma
empresa estrangeira que é comandada de fora e que não hesitou em cortar luz
elétrica de postos de saúde - um ato desumano de um dono que não está no
Brasil". O presidente do BNDES, Guido
Mantega, reagiu de maneira dura. Afirmou ontem que irá interpelar
judicialmente a prefeitura de São Paulo. "É uma ilação estapafúrdia
feita por alguém mal-intencionado", atacou. O prefeito não foi o único tucano
a atacar o presidente do BNDES ontem. O governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin, afirmou que o banco está perseguindo a administração estadual, ao
não conceder novos empréstimos para o Estado. "Temos acesso a linhas
externas, mas não conseguimos ter acesso ao banco de financiamento do nosso
próprio País", afirmou. Alckmin queixou-se do BNDES não conceder um
financiamento de R$ 390 milhões para o pagamento de juros e correções
referentes ao financiamento da linha 2 do metrô. Ontem, Mantega respondeu apenas ao
prefeito: "A respeito da declaração do prefeito José Serra de que o
BNDES usou dinheiro público para socorrer a Eletropaulo, devo dizer que é
verdade. Mas quem socorreu, emprestando dinheiro à O presidente do BNDES disse que a
ação do banco no atual governo (durante a gestão de Carlos Lessa) foi apenas
de fazer um acordo de participação acionária como forma de salvar o dinheiro
emprestado, uma vez que a AES ficou inadimplente e sem condições de pagar.
"Para não perder dinheiro público, nós transformamos o empréstimo em
participação acionária", disse. A Eletropaulo foi privatizada em
1998, adquirida pela AES com financiamento do BNDES. Em 2000 o banco fez
outro empréstimo à empresa norte-americana para a compra de ações preferenciais
da Eletropaulo. Em janeiro de 2003, quando a dívida total originária dos dois
empréstimos somava US$ 1,2 bilhões, a AES interrompeu o fluxo de pagamentos,
tornando-se inadimplente. Em dezembro do mesmo ano, após um tumultuado
processo de negociação, foi criada a empresa Embora o BNDES tenha assento no
Conselho de Administração da Eletropaulo, Mantega disse que o banco não tem
interferência direta na gestão nem da empresa e nem da de nenhuma outra das
"mais de 180" nas quais ele detém participação acionária: "O
banco não se intromete na gestão da empresa. Não sei se isso (o corte de luz)
foi legal ou ilegal e nem quero saber". No tiroteio entre tucanos e
paulistas ontem, o governo municipal também foi acusado pelos petistas de
mentir ao afirmar que pagou a conta de luz no mês de fevereiro, referente à
janeiro. Com base em dados do sistema de execução orçamentária da prefeitura,
o vice-líder do PT na Câmara dos Vereadores, Paulo Teixeira, afirmou que não
houve empenho de um centavo sequer para o pagamento do serviço da Eletropaulo
até 28 de fevereiro, mesmo com a prefeitura mantendo R$ 2,1 bilhão
disponíveis em caixa. "Há uma estratégia do governo municipal em fazer
caixa não pagando contas", disse o vereador. (Colaborou César
Felício, de São Paulo, com agências noticiosas) |