Hemeroteca do Instituto de Eletrotécnica e Energia
Nº 87236
O Globo
Data: 14/04/2005
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Gerson Camarotti e Mônica
Tavares
BRASÍLIA. O governo decidiu recuar e esperar ao menos um mês para tentar votar,
no plenário do Senado, a indicação do engenheiro químico José Fantine para o
cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Até lá, o Palácio
do Planalto tentará recompor a relação com os senadores do PMDB, que na
terça-feira foram o maior motivo da rejeição de Fantine na Comissão de
Infra-estrutura por 12 votos a 11.
Na tentativa de aprovar o engenheiro indicado pela ministra de Minas e Energia,
Dilma Rousseff, o governo deverá apreciar indicações peemedebistas para cargos
em estatais. A articulação está a cargo do líder do governo, senador Aloizio
Mercadante (PT-SP). Ontem, integrantes da cúpula do PMDB recomendaram cautela
ao Planalto e mandaram duro recado: se tentar aprovar imediatamente o nome de
Fantine, o governo será derrotado de novo.
— O PMDB é parceiro do PT e não subalterno. Tem hora que não dá para votar com
o governo — disse o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB).
O PMDB deixou claro que quer resolver problemas de indicações de aliados para
estatais do setor elétrico, como uma do senador Waldir Raupp para a Eletronorte
e outra, de Suassuna, para a diretoria da Eletrobrás, além de nomeações para
diretorias de Infraero, Correios e comando do Banco do Nordeste. O partido tem
reclamado publicamente da posição de Dilma, que julga autoritária.
— Se há descontentamentos, temos que identificar a origem e resolvê-los. Só
depois poderemos pôr o nome de Fantine em votação — disse o líder do PT no Senado,
Delcídio Amaral (MS).
Para uma fonte próxima ao governo, Delcídio errou ao não pedir a retirada da
sabatina e sua votação da pauta da comissão. A não ser que o senador,
ex-diretor da Petrobras, tivesse contencioso com Dilma ou Fantine. A segunda
hipótese tem peso, porque Delcídio é experiente e poderia ter percebido a
articulação do PMDB.
Nos últimos dois dias, Dilma foi alertada por integrantes do governo de que era
preciso mudar o comportamento. Foi aconselhada a ser mais conciliadora com o
Congresso. Petistas chegaram a adverti-la de que havia um movimento do PMDB
para enfraquecê-la e desestabilizá-la. Caso contrário, ela poderia perder
espaço no governo. Senadores do PMDB chegaram a sugerir, reservadamente, a
substituição de Dilma pela senadora Roseana Sarney (PFL-MA).
A Sétima Rodada de Licitação de Áreas de Petróleo, em outubro, foi aprovada
ontem pelo Conselho Nacional de Política Energética. Haverá licitação de 1.134
blocos para exploração e produção de petróleo e gás, vencendo o maior lance.
Outra licitação terá 20 campos, vencendo o melhor projeto.