LENHA NO BRASIL

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A lenha é provavelmente o energético mais antigo usado pelo homem e continua tendo grande importância na Matriz Energética Brasileira, participando com cerca de 10% da produção de energia primária. A lenha pode ser de origem nativa ou de reflorestamento. Seus principais constituintes são a celulose (41-49%) a hemicelulose (15-27%) e a lignina (18-24%), e seu poder calorífico inferior médio é de 4.200 kcal/kg (17,57 MJ/kg).

Ela tem recebido a denominação de energia dos pobres por ser parte significativa da base energética dos países em desenvolvimento, chegando a representar até 95% da fonte de energia em vários países. Nos países industrializados, a contribuição da lenha chega a um máximo de 4%.

As novas tecnologias de conversão da lenha em combustíveis líquidos, sólidos e gasosos de alto valor agregado, têm, atualmente, grande interesse mundial e recebem importante quantia de recursos para suas pesquisas e desenvolvimentos. A combustão ou queima direta é a forma mais tradicional de uso da energia da lenha, porém, a gaseificação e a pirólise são processos termoquímicos que recebem especial atenção.

Cerca de 40% da lenha produzida no Brasil é transformada em carvão vegetal. O setor residencial é o que mais consome lenha (29%), depois do carvoejamento. Geralmente ela é destinada a cocção dos alimentos nas regiões rurais. Uma família de 8 pessoas necessita de aproximadamente 2 m3 de lenha por mês para preparar suas refeições. O setor industrial vem em seguida com cerca de 23% do consumo. As principais industrias consumidoras de lenha no país são alimentos e bebidas, cerâmicas e papel e celulose.

A mata nativa sempre foi uma fonte de lenha, que parecia inesgotável., devido à quantidade gerada na ampliação da fronteira agrícola. A forma devastadora com que ela foi explorada deixou o país em situação crítica, em várias regiões onde existiam abundantes coberturas florestais, no tocante à degradação do solo, alteração no regime de chuvas e consequente desertificação. A substituição da lenha de mata nativa por lenha de reflorestamento vem crescendo a cada ano, sendo o eucalipto a principal árvore cultivada para este fim. É um vegetal de origem australiana e apresenta mais de 600 espécies, sendo que muitas delas foram desenvolvidas e adaptadas no Brasil, onde encontrou condições propícias para o seu rápido crescimento. As árvores de eucalipto podem ser cortadas a partir do sexto ano com produtividade extraordinária.

Na produção de lenha para fins comerciais, uma parte da árvore (troncos e galhos finos) é rejeitada constituindo os resíduos florestais. Além disso, as indústrias que usam a madeira para fins não energéticos, como as serrarias e as indústrias de móveis, produzem resíduos industriais como; pontas de toras, costaneiras e serragem em diferentes tamanhos de partículas e densidade, que podem ter aproveitamentos energéticos. A transformação da lenha em carvão vegetal é conhecida como carbonização. Ela será tratada no item destinado ao carvão vegetal.

 

PERFIL DA LENHA (valores expressos em 106)

19981999
Produção  
Reflorestamento (t)  
Eucalipto (t)  
Pinho (t)  
Outros (t)  
Mata nativa (t)  
Consumo  
Comercial (t)  
Residencial (t)  
Industrial (t)  
- Papel e celulose (t)  
- Alimentos e bebidas (t)  
- Cerâmico (t)  
- Carvão vegetal (t)  
- Outros (t)  

 

LENHA - Série histórica (valores expressos em 106)

ITEM 19881989199019951996199719981999
Produção        
Reflorestamento (t)        
Eucalipto (t)        
Pinho (t)        
Outros (t)        
Mata nativa (t)        
Consumo        
Comercial (t)        
Residencial (t)        
Industrial (t)        
- Papel e celulose (t)        
- Alimentos e bebidas (t)        
- Cerâmico (t)        
- Carvão vegetal (t)        
- Outros (t)